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Luísa Mendonça, 17, Brasil.

Era uma vez uma menina que não tinha nada de especial.  Ela gostava de escrever em seu diário, criar histórias onde haviam finais felizes, escrever músicas ou escrever cartas que nunca iria mandar. Seu lugar favorito para escrever era em um café. Não um específico, mas esse tipo de lugar a inspirava. E era lá onde ela estava. A tranquilidade das pessoas, geralmente pensativas, observando umas as outras pela grande janela de vidro que dava para uma rua movimentada fazia com que a menina refletisse. Trocas de olhares por alguns segundos fazia com que ela imaginasse grandes romances, uma história inteira entre duas pessoas que nunca se conheceram, e provavelmente nunca iriam se ver novamente. Ela observava com atenção aquelas pessoas ao seu redor, um café ao seu lado que ela esquecera, tamanha a concentração em cada movimento por perto. A atendente mascava seu chiclete entediada no balcão, um casal de idosos trocava palavras quase inaudíveis e um intelectual escrevia em seu computador rapidamente. Estava tudo normal, como sempre.

Ela ouviu um sino tocar atrás de si, indicando que a porta acabara de ser aberta. Viu um garoto entrando e sentando-se no balcão. Parecia pensativo. O celular na mão dele tocava, porém sempre o ignorava. Ela estava intrigada por ainda não tinha visto o seu rosto. Então ele se virou e um choque correu por todo o seu corpo, tamanha a improbabilidade do acontecido. Ela já havia o visto muitas vezes. Começou a folhear o seu diário, procurando uma página que tinha certeza que ainda estava lá, intocada. Enquanto isso ele a viu, e sorriu. Seu sorriso era exatamente como ela se lembrava. Ela retribuiu o sorriso e estava certa que que seus olhos estavam brilhando, mas continuou a procurar algo que havia escrito alguns dias antes. Ao mesmo tempo, percebia o quanto os olhos dele estavam presos à tela do seu celular. A imaginação dela criou histórias como o de costume, e isso a distraía em sua busca. Finalmente, achou a página que queria. Estava arrancada, dobrada e bem guardada entre as últimas páginas do velho caderno. Ela hesitou por um segundo, mas sabia que aquilo era a coisa certa a fazer. Havia escrito aquela carta para ele com tudo que não era forte o bastante para falar. Estranhou a distância dele, que normalmente conversava com ela, mas isso não fez com que ela desistisse. Apesar de ter escrito a carta para organizar os seus pensamentos, estava certa de que não podia guardar aquilo para si. Ele tinha que saber.

Ela reuniu toda a sua coragem e se levantou. Pegou o caderno cuidadosamente e guardou-o em sua mochila. Guardou a carta no bolso do seu casaco e pegou um trocado para pagar o café, que ela tinha acabado de recordar. Andou até o balcão, onde a atendente estava do mesmo jeito de sempre. Entregou o dinheiro a ela, que agradeceu com um sorriso antipático.  Um turbilhão de pensamentos passou em sua mente, todas as consequências ruins do que poderia acontecer depois que a carta fosse entregue, então ela só seguiu em frente. Respirou fundo e rumou a porta, que logo, logo tocaria o sino avisando que ela foi embora. Ela sabia que o clima lá fora estaria mais ameno, então tirou o casaco e partiu.

O que ela não sabia era que ele observava todo o seu trajeto, e prendeu a sua atenção em uma folha de papel amassada que ficou quando ela saiu com pressa. Ele foi em direção à folha e viu o seu nome. Em um súbito ato de curiosidade, desdobrou o papel e ao voltar para o balcão fez de tudo para alisar a folha com as mãos e leu.

Ela havia desistido de entregar, mas o destino fez com que ele vagasse pelos mais profundos pensamentos escritos com carinho. Ela nem fazia ideia.

A menina checou o bolso e percebeu que a carta não estava mais lá. Voltou alguns passos e passou pela grande janela de vidro de um dos seus cafés favoritos. Ele permanecia lá, sentado tenso no balcão de costas para a janela, com a cabeça baixa. Assim que ela percebeu o que havia acontecido, voltou ao seu rumo rapidamente. Agora ele sabia de tudo e não havia mais nada que ela podia fazer a não ser esperar. Ela não sabia muito bem pelo quê esperar, e essa foi a primeira vez que sua imaginação não criou uma bela história com um final feliz. Ela não tinha expectativas, mas não faltava esperança dentro dela. E ela esperou por algo que não sabia o que era, não sabia se queria, muito menos se gostaria.

Helena Queiroga

VIBRATIONS AND MAN’S RESPONSE

Both the ancient sages and modern scientists agree that everything in life is formed of vibrations. We are told that vibration is the result of force or energy, concentrated in some mysterious way and caused to vibrate, shake or oscillate at different speeds. The difference between one object and another is ultimately a question of rate of vibration. IT is the number and arrangement of the electron within an atom, and the varied cohesion of atoms into molecules, which go to make up these vibratory differences.

Low rates of vibration form the more static or visible objects; we might say that they send out only slow ripples; higher rates of motion, between the rapidly flying particles, form less tangible things such as gas. These particles intermingle rapidly with the air, but often they do not move sufficiently quickly to penetrate through solids. Vibrations of a relatively low frequency are known to us as sounds. Higher ranges are known as heat. Sound and heat are fine enough to pass through certain solids. We all know about the ripples or waves caused by sound. We also know about the electrical impulses, through the wireless, and we call them wave-lengths and know all their measurements.

We might picture the scale of vibrations as a vast keyboard, on which there are many octaves and different types of vibration and motion. One range of motion expresses itself as solid, liquid, and gaseous forms. Other ranges are perceived as sound, heat and those intangible things about which we know little.*

Above the octaves of sound would come those of light and color vibrations. The colors range from red—the lowest (vibrating at 451 million-million times per second with a wavelength of 36,918th of an inch)—up to Violet. We see this order of colors in the rainbow and in the spectrum. Above the Violet, color can no longer be seen by the eye, and we find the ultra-violet rays and the X-ray. It is here we begin to find vibrations that can penetrate through most solids. Higher up on the scale we find even finer wavelengths said to be on par with electrical impulses of human thought.

Apparently the vibrations of the mind can travel instantaneously many hundreds of miles, as in thought telepathy, passing through all solids which intervene. They have an intimate connection with electricity which, as we know, can travel round the world in a flash. Each thought is a vibration having a set wave-length!

How having placed sound, light and heat in their respective order as we know it, we must ask what they are and how we know they exist:

Had we and the animals no ears, what would sound be?

  • What we know as sound is only a small section of “octaves” on the large scale of vibrations transmitted to the brain via receivers in the ears. The human ear is successful only up until a certain point, beyond which it can receive no more. However, many animals hear vibrations which to us is no longer sounds at all.

Higher up on the keyboard than sound comes heat. Our skin contains little recievers to transmit these vibrations, to which the ear is no longer sensible. Farther up the scale, we still come to light and color – to which we have the optic nerves (eyes) for registering those vibrations to the brain. The eyes can only receive vibrational information up until violet, the higher vibrations pass through the eye lens.

The question now arises — Have we any organs which can deal with those higher vibrations?

These last vibrations are soooo fine, that they use the ether as their vehicle instead of the heavier air particles. The ether is the indefinable substance in which this Earth and all of the atoms of the air are supported. The finest vibrations which we have yet considered are within the realm of electrical and magnetic phenomena. These are the forces which man also contains within himself, and which can be ultilized through the mind.


THE PITUITARY BODY & THE PINEAL GLAND

Let us inquire about the organ we have with which to register these particular vibrations, embracing the radiations and emanations which come under the general term psychic. There are two small glands in the head which give doctors much cause for speculation, the Pituitary Body and the Pineal Gland.

The former is a tiny, double bean-shaped body situated behind the root of the nose. It is posed so that it is very sensitive to vibrations. We know that:

  • In some way it is connected with nurture, body-building, and the nervous system.
  • If it is removed all organic function ceases.
  • If overdeveloped it produces Giantism, while if underdeveloped Dwarfism is the result.
  • The Pituitary Body has been called, “The Seat of the Mind.
  • The frontal lobe is concerned with emotional thought, of the type which produces poetry and music.
  • The anterior lobe is connected with more concrete intellectual concepts.

The Pineal Gland is a tiny cone-shaped body in the middle of head, behind and just above the Pituitary. It contains pigment (DMT, Melatonin, Melanin), similar to that found in the eyes, and is connected by two nerve cords with the optic thalmi; it is said to control the action of light upon the body, and for these reasons scientists have suggested that it is the remnant of a third physical eye. Men of learning have pronounced it to be the point in the human being where soul and body meet, “The Seat of Intuition”.

It is said that when, for specific reasons, the Pituitary Body and the Pineal Gland have become fully stimulated, their vibrations fuse and stir into life the mysterious ’Third Eye’ of man, the Eye of the Soul. Apparently this activity provides the mind with a perfect instrument with which to work, a transmitter by means of which vibrations of very differing types can be translated, interpreted and rearranged. Man can also become sensitive to the finer chemical magnetic emanations in the ether, and can ‘see’ the numberless thought-forms, entities and creatures, the endless complexities and types of life which make up a vast world of teeming energies which the limited capacity of ordinary physical sight is unable to register.

Of course there are some people who have this power today, but we do not understand its use nor how to train them properly, consequently their development is left to chance. Sometimes people use these powers without knowing what they are doing, nor what the result will be, as in the case of some forms of mental healing, based on ‘blind faith’. In curing some diseases, either by self-treatment or by a mental healer, the fine vibrations of the mind act on the lower vibrations of the diseased tissue.  We know of many cases of ‘instantaneous’ healing.

The only real power to do such things lies within ourselves, but we must first learn to use our OWN highest vibrations. The mental worker knows that she has to steady down all her bodily disturbances and vibrations before she can concentrate at all. She needs to not only be able to ignore the vibrations all around her, which she can only do if they are steady and balanced (a hum of traffic disturbs many much less than odd drops of falling water), but also she must have steadiness and blance of every activity in her own body—so that she can ignore it.

The mind has power over everything that it can understand and visualize. Therefore the first step of all is to study these arguments and theories, and those facts which are supported by adequate testimony, and with a perfectly open and logical mind.

(Source)

*Rosicrucian Cosmo-Conception, see table, p.255

(Source: awakeningapril, via letargico)

“É surpreendente a conclusão a que chega o maior poeta português dos tempos modernos: um poeta que saiba o que é a curva de Gauss tem mais probabilidades de escrever um bom soneto de amor do que um poeta que não o saiba. Por quê? Porque um poeta que se deu ao trabalho de estudar uma equação matemática tem em si o instinto da curiosidade intelectual e por ter esse instinto, com certeza o terá usado para colher pormenores do amor e do sentimento. Enfim, terá valido a pena o tempo despendido em saber o que é a curva de Gauss e outras tantas coisas” Silvia Cintra em Cultura - Inclusão e Diversidade

Incrível. Relativamente didático, um livro recomendado na minha escola. Convertido em PDF para quem quiser ler. Estou simplesmente encantada com o conteúdo. Boa leitura.

(Source: was-special)

Se hei de questionar algo no mundo, de todas as minhas possíveis dúvidas, a primeira delas partirá de mim mesma. A última delas também.

Por que a impulsividade, pra que a impulsividade? Como tão impulsiva?
Por que essas músicas, justo essas músicas? O que tem nessas músicas afinal?
Como elas transformam meu arrebatamento em calma? Como amainam minh’alma? 
E essas frases? E as nossas fotos? 
E as nossas lembranças e todo o nosso diário de bordo? D’onde veio tanta sorte?
E todo esse meu amor? D’onde vem? Se eu segurar, será que ele fica? 

Que loucura, Meu Deus, que loucura.

Depois viria a revolta, se por acaso eu resolvesse seguir em frente. E uma sociedade inteira sofreria as consequências de uma demasiada imprevisibilidade. Dúvidas se tornam escrúpulos no momento em que são tidas como exíguas e assim permanecem até que desistimos de procurar uma resposta. A sociedade tem o de ouvir, mas nosso amor é muito grande para ter o de falar.

Os outros. Eles hão de tomar cada uma dessas dores e justificar a própria solidão. Nós não.

(?)

Os que perguntam;
Os que respondem;
Aqueles que sabem
E quem os ouve.

Eu nunca sentira tanta certeza do silêncio. Calada eu fui capaz de escrever tudo o que era devido e indevido sobre tudo o que podia e não podia ser dito.

Dentre os fatos mais incontestáveis, o nosso amor. Dele, toda a subjetividade. Dela, a poesia. 

Porque tanta intensidade?
Será possível o céu e a terra
se beijarem nos lugares inabitáveis? 

E toda essa subjetividade?
Será a metáfora
 motivo da sublimidade? 

O gosto pela dúvida 
A longevidade
O equívoco e a veracidade
O ápice e a eternidade

Será?

Luísa Mendonça

até o músculo machucado abrandar, palpitar pausado, quase sutil. Até o corte da tua pele cicatrizar e as mãos acalmarem a veia trêmula, a veia nossa após o pacto que é de verbo e sangue.

Até os teus olhos chorarem em cima dos meus olhos todo sentimento e mágoa, porque desajuste dentro de desajuste resulta em silêncio. Cansaço e silêncio. Aguardo, silêncio.

Abrigo é o apoio das três estrelas que eu também tenho. Abrigo é um eu te amo brando. Branco. Em paz.

(Ich liebe dich).

Claudia

(Source: ocaosdoseio, via rubirrostros)

Sanatório se enche de risos e desejos bobos, atitudes estúpidas de adultos que ainda não cresceram, vontades infantis de mentes pouco trabalhadas, desejos suprimidos, sonhos não realizados, planos e metas não cumpridos em prol daquela velha mania do atraso, o cultivo pesado a ignorância e estupidez reina absoluto ganhando almas vazias e corações carregados de amores farsantes e mal vividos. O sanatório se enche de adultos-criança carregados de sonhos que, ao serem deixados de lado pela vontade insana de priorizar aparências mentirosas de felicidade exposta, foram perdidos no vácuo imenso de superficialidade absoluta do universo escuro dono das trevas.

(Source: coliseus, via posporia)

Não sou como os outros.
Não penso demais,
penso exacerbadamente pouco,
e se penso, sou chamado louco.

Não reflito sobre o funcionamento
dos aviões, nem dos passarinhos;
não sou inteligente, esqueço tudo;
e na hora da sabedoria, fico mudo.

Sou pensador fajuto,
se paro pra pensar;
não explico, escuto.

Sou daquele tipo matuto,
e acho que meus velhos pensamentos
estão todos de luto.

João, 60 Mil Anos

(via coracao-voraz)

E noites e noites e noites de insônia. Eu, você, um cigarro e outros olhos que não te veem, mãos que não te tocam. Com tantas palavras a dizer, prefiro teus olhos, o teu silêncio de um caos ameno. A respiração flui de pouco em pouco, pra não engasgar com o que beira o abismo da tua boca, eu. Os olhares deprimentes do coro não entendem que o nosso amor é uma catástrofe lenta em nós, calma, que destrói toda a arte que não é vista e cria uma com visibilidade maior, sem dramas. É passo dado por pés descuidados, pisam e vacilam no primeiro vão, te seguro. Você se sente segura. Arrisco no silêncio dos momentos que os olhos se cruzam, arrisco te tocar só com a superfície de meus dedos pra não te machucar. Tua fragilidade me acusa de rude, e o sou. Mulher, noite e noites e noites de insônia, perdido nos teus silêncios, nos vãos do teu corpo, em cada parte, cada palpitar do teu peito que ouço, na saliva que se mistura, o suor que nos derrete e se faz um só liquido, um só corpo, um só palpite, um só sentimento.

John

(Source: coagulo, via neuropatia)

Quando eu minoria, você população.
Quando você hindu, eu vacaria.
Quando eu caligrafia, você computação.
E se você amputação, quem me abraçaria?

(Source: umafestapromeucancer, via neuropatia)

Bruised Orange (chain of sorrow) by Justin Vernon

(Source: yourhand-at-old-adventures)